O problema

Os nematoides são vermes microscópicos que habitam o solo e se alimentam das raízes das plantas com seus estiletes, reduzindo assim a absorção de água e nutrientes, tornando as plantas mais suscetíveis a condições desfavoráveis de calor e seca. As plantas atacadas ficam fracas, produzem poucos frutos e chegam a morrer. Elas também ficam mais suscetíveis a outros patógenos, como fungos e bactérias. O ataque direto do nematoide a órgãos comestíveis, como cenoura e batata, inviabilizam a comercialização.

Esquema do corpo de um nematóide parasita de plantas imagem 2 imagem 3

Entre as várias espécies, os nematóides das galhas (gênero Meloidogyne) são considerados os mais importantes por parasitarem quase todas as espécies de plantas cultivadas, o que dificulta o seu controle por meio de rotação de culturas, principalmente quando ocorrem simultaneamente com outros nematóides em uma área. O cultivo intensivo em áreas irrigadas favorece o aumento das populações de nematóides, que se distribuem no campo em reboleiras. Novos nematoides podem ser introduzidos na área em material de plantio contaminado, solo aderido a equipamentos e por água de irrigação.

No Brasil, somente as culturas perenes, que não possuem a rotação de culturas como alternativa viável para o combate aos nematóides, ocupam uma área de 7 milhões de hectares no Brasil, o equivalente a 11% do total. Entre estas se destacam as culturas de café, citrus, cacau e banana, que representam mais de 70% desta área, e nas quais a infestação pelo nematóide das galhas causa perdas econômicas significativas. As olerícolas e ornamentais apresentam um alto valor de mercado e também são bastante atacadas por nematoides. No caso do tomate, por exemplo, um hectare plantado pode significar cerca de R$50 mil/ha. As ornamentais apresentam retorno econômico de até US$100 mil por hectare, com algumas espécies podendo gerar renda superior. Dessa forma, perdas por nematóides em torno de 20 a 30% trazem grandes prejuízos aos agricultores.

Como o nematóide fica protegido no solo ou dentro das raízes das plantas, seu controle é muito difícil. Na ausência de cultivares resistentes e na impossibilidade de realizar rotação de culturas, os nematicidas sintéticos são utilizados para reduzir populações de fitonematóides. Esses nematicidas são muito tóxicos e, devido a isso, várias marcas registradas já foram retiradas do mercado no Brasil e no exterior. Com o aumento da conscientização da sociedade sobre os perigos que esses agrotóxicos representam para a vida humana e para o meio ambiente, criou-se uma grande demanda por alimentos livres de resíduos de pesticidas e por práticas de controle menos agressivas ao ecossistema. Uma alternativa seria a utilização de microrganismos para o controle biológico.