Problema - Meloidogyne spp

Problema - Meloidogyne spp.

O nematóide das galhas

Nematóides do gênero Meloidogyne são tidos como os mais importantes por que têm uma distribuição geográfica ampla, apresentam uma enorme gama de hospedeiros e causam grandes danos às culturas. Em 1855, Berkeley classificou o nematóide das galhas como Heterodera radicicola. Jobert, em 1877, associou a presença de galhas em raízes de cafeeiro no Rio de Janeiro com o declínio da cultura, e Goeldi, em 1887, classificou o nematóide das galhas como Meloidogyne exigua. Esta foi a primeira vez que o nematóide das galhas foi chamado de Meloidogyne, mas este gênero não foi imediatamente aceito pela comunidade científica. Goodey, por exemplo, em 1939 classificou o nematóide das galhas de Heterodera marioni. Foi em 1949 que Chitwood fez uma revisão completa e classificou as quatro principais espécies de Meloidogyne spp. (M. incognita, M. javanica, M. arenaria e M. hapla), separando-as pelas marcas cuticulares na região perineal. A partir daí, os nematóides das galhas foram reconhecidos mundialmente como gênero Meloidogyne. Desde então, mais de oitenta espécies de Meloidogyne já foram descritas. Este nematóide é encontrado nas mais importantes culturas agronômicas do Brasil, causando grandes perdas e chegando a ser fator limitante de cultivo.

Plantas hospedeiras

A gama de hospedeiros dos nematóides das galhas é muito ampla, parasitando quase todas as plantas cultivadas. Exemplos de culturas onde o nematóide das galhas é um grande problema são café, batata, tomate, quiabo, alface, cenoura, batata-baroa, fumo, frutíferas e plantas medicinais. Estima-se que as perdas causadas por esses nematóides estejam em torno 12%, chegando à 24% em café, tomate e soja. O nível das perdas varia com a espécie de Meloidogyne, com a idade, estado nutricional, espécie e variedade da planta hospedeira, com as condições de solo e de temperatura, e com o nível populacional do nematóide no solo.

Ciclo de vida

O ciclo de vida de Meloidogynespp. começa com o ovo, cujo interior sofre várias mudanças durante o desenvolvimento embrionário até culminar na formação do juvenil de primeiro estádio, ou J1. Este J1 sofre uma ecdise e se torna J2 ainda dentro do ovo. Este J2 começa a perfurar o ovo com o seu estilete rompendo a casca por onde sai para o solo e migra em busca de uma raiz para penetrar. Seguindo um gradiente de concentração de exsudatos radiculares, o J2 orienta seu movimento em direção à raiz e a penetra na região da zona de alongamento celular logo atrás da coifa.

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Após a penetração, o J2 migra para o tecido vascular e começa a se alimentar, introduzindo substâncias nas células da planta que vão alterá-las morfologicamente e fisiologicamente. Estas células aumentam de tamanho, seus núcleos se dividem sem divisão da parede celular e o metabolismo é acelerado. Estas células especializadas da raiz, em número de 3 a 6 ao redor da cabeça do J2 recebem o nome de células gigantes. Ao se alimentar o J2 se engrossa e torna-se sedentário. As alterações causadas pelo nematóide não se restringem às células gigantes; células do córtex se multiplicam desordenadamente e a raiz se engrossa formando um tumor que recebe o nome de galha. Dentro de uma galha pode-se encontrar várias fêmeas se alimentando próximas umas das outras. O parasitismo do nematóide na raiz é um dreno metabólico. As mudanças celulares resultam em aumento na concentração de aminoácidos, proteínas, RNA e DNA nas células gigantes, aumento de exsudatos radiculares, minerais, lipídeos, hormônios de crescimento, respiração e transpiração, seguido por um decréscimo em açúcares e celulose. Com a formação das células gigantes ocorre também uma obstrução física dos vasos condutores de água e minerais, o que resulta em sintomas de murcha prematura e de deficiência de nutrientes, além do subdesenvolvimento da planta. Em seguida o J2 sofre outras duas ecdises, passando a J3 e J4. Nesses estádios o nematóide não se alimenta, mas isto é por pouco tempo, pois outra ecdise o transforma em adulto, fêmea ou macho.

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Quando o macho é formado, ele readquire a forma alongada, rompe a cutícula que tinha quando era J4 e abandona a raiz. O macho não se alimenta mais e, na maioria das espécies de Meloidogyne, ele não tem papel na reprodução, que é paternogênica. Quando a fêmea é formada, ela continua a engrossar até ficar da forma de pêra e completa seu amadurecimento, que culmina com a postura de ovos em uma massa gelatinosa do lado de fora de seu corpo. Geralmente essa massa de ovos fica na superfície da galha e contém mais de 500 ovos.

Os J2 eclodem e penetram a mesma raiz ou as raízes vizinhas. A duração do ciclo de vida depende principalmente da temperatura, mas se pode dizer que é de 30 dias em média. Se os ovos são parasitados por fungo de controle biológico, os juvenis não eclodirão e não parasitarão as raízes, quebrando assim o ciclo de vida do nematóide.