Sustentabilidade

Sustentabilidade é um conceito sistêmico, propõe-se configurar a civilização e atividade humanas de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam usufruir o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida destes. A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde o ambiente local até o planeta inteiro, e os agrotóxicos vem de encontro a esta tendência mundial.

São também chamados defensivos agrícolas, preconizam a proteção química dos vegetais frente a pragas e doenças, seu efeito tóxico sobre os seres humanos e meio ambiente deu a eles o nome genérico "agrotóxicos".

Grandes indústrias multinacionais já consideram a exploração de microorganismos biológicos fato benéfico para o desenvolvimento de produtos comerciais seguros, uma vez que o mercado de agrotóxicos é cada vez mais taxado, barrado não tarifariamente e divulgado seus efeitos prejudiciais comprovados ao meio ambiente e aos seres vivos.

O controle biológico consiste no emprego de um organismo (predador, parasita ou patógeno) que ataca outro que esteja causando danos econômicos às lavouras. Trata-se de uma estratégia muito utilizada em sistemas agro ecológicos, assim como na agricultura convencional que se vale do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Hoje apenas 1,14% dos agrotóxicos registrados no Brasil são biológicos, sendo que ainda não deveriam estar enquadrados com tal, pois não são tóxicos. Estão em andamento aproximadamente 50 processos para registro de novos produtos biológicos, caso sejam aprovados, essa fatia passará a 4,71%. Há de se reconhecer que a parcela ainda é marginal, mas algumas atitudes vêm sendo tomadas, como por exemplo, o Decreto 6913/09 que delibera acerca de produtos fitossanitários com uso aprovado para a agricultura orgânica.

Apesar do crescimento do uso de agrotóxicos, ainda há o problema da falta de equipamentos de segurança na hora de aplicar o produto, em especial, pelos pequenos agricultores. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, os trabalhadores do campo convivem cada vez mais com os agrotóxicos. A principal conseqüência é o aumento dos riscos de contaminação de produtos da agropecuária com resíduos químicos prejudiciais à saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que aproximadamente 3 milhões de pessoas são intoxicadas por ano em decorrência da utilização de agrotóxicos. Dessas, 220 mil morrem e 750 mil adquirem doenças crônicas.

De acordo com a revista Com Ciência, o controle biológico de pragas e doenças em plantas pode ser uma alternativa ao quadro exposto recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa: o Brasil é o terceiro maior consumidor de produtos agrotóxicos no mundo e o primeiro na América Latina.

Por diversas razões o uso do controle biológico para combater pragas e doenças ainda é restrito no país. Entre os principais fatores estão a cultura do controle químico, a necessidade de tempo e falta de manejo, o que leva os produtores a optarem pelos agrotóxicos. Segundo Marcelo Morandi, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna, até mesmo a formação acadêmica do profissional de agronomia é deficitária nesse aspecto: “A graduação oferece poucas disciplinas sobre o assunto e enfatiza que o controle químico é a única alternativa para combate de pragas e doenças.”

Os agricultores devem optar pelo controle biológico pelos seus inúmeros benefícios, lembrando que somado a ele é também salutar o manejo integrado da lavoura.

download: Manejo Integrado.pdf